Poluição do ar nas grandes cidades, 60% das ferrovias brasileiras estão abandonadas, quem está sem energia elétrica no Brasil - Notícias do IEMA

Notícias do IEMA - 5º Boletim
02 de julho de 2019

Olá, as últimas semanas foram agitadas no IEMA. A começar pelo 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. O tema este ano escolhido pela Organização das Nações Unidas(ONU) foi “poluição do ar”, área em que atuamos desde a nossa fundação em 2006.

Destacamos que é importante haver uma legislação adequada sobre qualidade do ar e que os estados tenham condições financeiras para monitorá-lo. Nas grandes cidades, a maior parte dos poluentes é emitida por veículos.

Além disso, se queremos reduzir as emissões de carbono do Brasil, precisamos planejar a mobilidade urbana e o transporte de cargas no país todo de maneira que deixe de afetar florestas hoje preservadas, como na Amazônia, e possibilite o uso racional de ferrovias, hidrovias e rodovias.

Acompanhe abaixo as principais notícias nossas, de parceiros e notas importantes.

Qualidade do ar

Como disponibilizamos a Plataforma da Qualidade do Ar, que reúne dados de todo o país e usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), convidamos jornalistas para um workshop sobre o tema. Oito jornalistas participaram de uma conversa sobre poluição do ar onde se mostrou, entre outros dados, que o setor de transportes é um dos principais poluidores das grandes cidades brasileiras.

Sobre legislação, o IEMA esteve com outras organizações do terceiro setor na Câmara dos Deputados para falar sobre a importância de um projeto de lei que propõe a instituir uma Política Nacional de Qualidade do Ar. Atualmente, está em tramitação oprojeto de número 10.521/2018, proposto pelo deputado Paulo Teixeira. 

Na ocasião, as organizações apontaram pontos do Projeto de Lei para serem aprimorados como: atribuir responsabilidades a órgãos públicos específicos; prever recursos para a implementação de ações da política de qualidade do ar; e definir procedimentos para estabelecimento de parâmetros como, por exemplo, padrões de qualidade do ar e limites máximos de emissão.

Temos mais uma boa notícia. Com apoio do IEMA, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), órgão ambiental de Minas Gerais, disponibilizou em sua página dados do monitoramento da qualidade do ar dos anos de 2015 a 2017. Até então, o órgão ambiental havia publicado informações apenas referentes a anos anteriores a 2015. Agora, a FEAM também dispõe de um maior número de estações que passaram a compor a rede de Minas Gerais desde 2014.

Por conta da ONU ter escolhido a poluição do ar como tema do Dia Mundial do Meio Ambiente, houve bastante repercussão na mídia sobre o assunto:

  • É preciso priorizar o transporte ativo e o público, ressalta André Ferreira, diretor-presidente do IEMA, no programa Conexão do Canal Futura;
  • No jornal Hora 1, da TV Globo, uma matéria explica desde os equipamentos que monitoram a poluição do ar até o impacto na saúde;
  • Rádio Senado esmiuçou em um podcast como está a qualidade do ar no Brasil, com foco no Distrito Federal. Usando a Plataforma de Qualidade do Ar do IEMA, ressaltou-se a importância de informações qualificadas para elaborar e implementar políticas públicas;
  • Na Agência Envolverde, a jornalista Sucena Shkrada Resk aproximou a poluição do ar aos problemas de saúde;
  • Já Marcelo Leite, Folha de S. Paulo, abordou o problema da emissão de materiais particulados devido ao desgaste de pneus, freios e pistas
  • Artigo do pesquisador do IEMA David Tsai mostra o passo a passo para enfrentar a poluição do ar no Brasil, publicado na Página 22
  • "No Brasil, temos uma limitação muito grande na gestão da qualidade do ar porquenão temos uma Política Nacional de Qualidade do Ar com responsabilidades, penalidades, fontes de financiamento definidas", matéria por Jorge Olavo naGazeta do Povo;
  • Na matéria de Cássia Maia, no jornal DomTotal, a pesquisadora do IEMA Beatriz Oyama ressalta que é importante monitorar o ar para termos políticas públicas mais adequadas e verificar se estas estão surtindo efeito. 

Transportes

Representantes do setor privado e de organizações não governamentais se reuniram no workshop Brasil Carbono Zero 2050, para debater a importância, os desafios e os caminhos para ampliar a participação dos modais ferroviário e aquaviário no transporte de cargas no Brasil e seus desdobramentos em termos de emissões de gases de efeito estufa. Os documentos podem ser lidos no site oficial do encontro. 
 
O evento coorganizado pelo IEMA contou com apresentações do economista Bernardo Figueiredo, ex-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), de Luís Henrique Teixeira Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (ANUT), de Ramon Victor Cesar, professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e de André Luis Ferreira, diretor-presidente do IEMA. Baldez apontou dados interessantes sobre as ferrovias brasileiras: 77% das toneladas transportadas são minério de ferro e 18 mil km (60% das ferrovias) estão abandonadas.

Já Figueiredo abordou sobre o fato de a regulação do setor ser frágil e não cumprida. Ramon apresentou os cenários futuros (2035) de movimentação do transporte interurbano de cargas produzidos pela FDC no âmbito da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (PILT). Ferreira ressaltou que, para reduzir as emissões do setor, parte da carga transportada pelo modo rodoviário deve migrar para ferrovias e hidrovias. Mas, além disso, que os caminhões devem substituir o combustível fóssil por fontes de energia mais limpas.

Energia Elétrica

O IEMA apresentou resultados do estudo “Xingu Solar: como a energia renovável pode beneficiar o Território Indígena do Xingu” no seminário internacional “Territórios da Energia, Mudança Climática e Sustentabilidade da Macrometrópole Paulista”, no Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. Em locais sem acesso à energia elétrica é comum o emprego de geradores a diesel. O pesquisador do IEMA Vinicius de Sousa mostrou que,no Xingu, o custo por unidade de energia elétrica é: diesel, R$ 1,70; híbrida (diesel e solar), R$ 1,42; e solar, R$ 1,04.

O comitê organizador da Feira Energia e Comunidades, do qual o IEMA faz parte, divulgou carta aberta na qual consolida os resultados do evento e indica algumas recomendações e encaminhamentos visando superar o problema da exclusão elétrica no país. Entre elas estão: mapear urgentemente as comunidades sem acesso à energia elétrica e prever que as concessionárias de energia incluam em seus objetivos e metas o atendimento à demanda produtiva das comunidades.

Prêmios

Na entrega do primeiro Prêmio MapBiomas, que busca estimular estudos sobre a relação entre a infraestrutura de energia e transportes e a dinâmica de alterações na cobertura e uso do solo no Brasil, debates ressaltaram que 13% das florestas do planeta estão aquiLeia como foram as apresentações dos especialistas e conheça os projetos vencedores.

Esta edição do prêmio é uma iniciativa conjunta da rede de instituições do MapBiomas, do IEMA e do Instituto Escolhas com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS). Em agosto, haverá a chamada para a segunda edição.

A saber

Falando em uso do solo... Foi lançado o MapBiomas Alerta, sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa com imagens de alta resolução. Ou seja, uma plataforma online que mostra onde está acontecendo o desmatamento ilegal em todos os biomas brasileiros.

Dica iluminada. A International Energy Initiative (IEI) lançou o Monitor de Eficiência Energética (MonitorEE), um portal que reúne dados, indicadores e análises de eficiência energética do Brasil para acesso público e gratuito.

Combustíveis. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou as metascompulsórias anuais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa para a comercialização de combustíveis para o novo ciclo de dez anos, 2020-2029. A meta para 2028 era 66,75 gCO2e/MJ e agora, para 2029, passa a ser 66,1 gCO2e/MJ.

Estamos juntas e juntos! Membros da rede Narrativas, grupo de comunicadores de causa, se reuniram em São Paulo para um debate sobre indicadores de marketing, mídia e relevância. O encontro surgiu a partir de uma conversa no grupo de e-mails da rede. Ele foi organizado pelo IEMA em um espaço cedido pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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