Xingu Solar: Os desafios da energia renovável em comunidades na Amazônia

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) realizou dois estudos, um econômico e outro qualitativo e quantitativo, sobre o projeto Xingu Solar do Instituto Socioambiental (ISA). Até agora, por meio do projeto foram instalados 70 sistemas fotovoltaicos em 65 comunidades aldeias do Território Indígena do Xingu (TIX), com potência total de 33.260 kWp. Segundo a avalição, a combinação da produção de energia elétrica de geradores a derivados de petróleo com painéis fotovoltaicos geraria a economia de mais de R$ 30 mil por mês em subsídios federais. Além disso, a pesquisa mostrou que as comunidades locais preferem energias renováveis devido à segurança energética (por não depender de combustíveis) e aos benefícios ambientais.

Esse projeto é importante porque a oferta de eletricidade no TIX é restrita e, quando disponível, a energia utilizada provém de sistemas a diesel ou a gasolina adquiridos pelos próprios habitantes ou fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Desse modo, a população local fica dependente do abastecimento do combustível para ter energia e, com frequência, os geradores precisam de manutenção.

O acesso à energia elétrica pode levar benefícios às comunidades como a refrigeração de vacinas, soros antiofídicos, de alimentos, o bombeamento e armazenamento de água potável e possibilitar a ampliação de atividades produtivas, culturais e educacionais. Para garantir que a universalização seja realizada da melhor forma, potencializando todos esses benefícios, é necessário o desenvolvimento de modelos de implementação que incluam as comunidades e que as políticas públicas do setor elétrico se adequem às realidades locais.