Análise ambiental do Leilão de Energia Nova de setembro de 2021

Veja o resumo do resultado do leilão e possíveis impactos como de emissões

O Leilão de Energia Nova (LEN) A-5 foi realizado na quinta, dia 30 de setembro, para a contratação de energia a ser entregue ao sistema em 2026. As termelétricas a combustíveis fósseis cadastradas foram previamente analisadas pelo IEMA por meio do boletim pré-leilão

A despeito do atual risco de racionamento de energia que tem suscitado diferentes medidas por parte dos órgãos do setor elétrico como a contratação emergencial de energia para 2022 ou estímulos para a economia de eletricidade entre grandes consumidores e residências, a contratação de energia, que considerou a projeção de demanda das distribuidoras a partir de 2026, foi moderada. 

O leilão contratou um total de 860,8 MW. As termelétricas a combustíveis fósseis, apesar de serem a fonte com maior volume cadastrado (35,9 GW), não tiveram nenhum projeto contratado. A maior contratação veio de térmicas a biomassa (301,2 MW), com seis projetos a bagaço de cana e um a cavaco de madeira, a um preço médio de R$ 270,75/MWh. A energia solar fotovoltaica foi a segunda com maior contratação (20 projetos totalizando 236,4 MW a R$ 166,49MWh), seguida pela  eólica, com 11 projetos (161,3 MW) a R$ 168,59/MWh. Por fim, foi contratada uma hidrelétrica de 141,9 MW a um preço de R$ 174,27/MWh e a primeira térmica a resíduos sólidos urbanos, de 20 MW a R$ 549,35/MWh.

A expectativa inicial era de um desempenho superior das térmicas fósseis, após os leilões de energia existente realizados em junho, que contrataram apenas uma usina. No entanto, avalia-se que a baixa demanda de contratação privilegiou as fontes eólica e solar, de preços mais baixos e, na categoria de disponibilidade, encontrou as térmicas a biomassa em maior grau de competitividade que as usinas a gás. 

Em relação às termelétricas a bagaço de cana e cavaco de madeira, entende-se que, ainda que contribuam para a redução de GEE, são fontes significativas de óxidos de nitrogênio (NOx) e de material particulado. Espera-se que os projetos tenham procedimentos e equipamentos adequados para monitoramento e controle das emissões destes poluentes.

Já em relação ao projeto de incineração de resíduos sólidos urbanos, a documentação encontrada não deixa claro o material que será incinerado (material orgânico, plástico ou outros). Em segundo lugar, tampouco fica claro se as caldeiras dos incineradores terão queimadores complementares alimentados por combustível fóssil, o que implicaria emissões adicionais. 

Por fim, ainda que o leilão tenha objetivado atender à demanda projetada para 2026, ressalta-se que a baixa contratação é contraditória com o momento de risco de racionamento. Neste sentido, está programado um leilão emergencial para empreendimentos nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul, que serão contratados entre maio de 2022 e dezembro de 2025 de modo a preencher o horizonte até a entrada em operação de novas usinas em 2026.

Referências: