Olá! Você está recebendo o boletim do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) com as principais atividades realizadas nos últimos dois meses.
Ampliar o acesso à energia elétrica na Amazônia continua sendo um dos principais desafios para reduzir as desigualdades sociais na região. Com esse enfoque, o IEMA lançou o estudo técnico-científico “Políticas públicas e experiências de acesso à energia: da agenda internacional às soluções comunitárias na Pan-Amazônia”, que reúne e analisa iniciativas voltadas à ampliação do acesso à energia elétrica renovável em comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas da Pan-Amazônia, região que abrange áreas de floresta amazônica em nove países da América do Sul.
Disponível em português, espanhol e inglês, a publicação traz experiências que beneficiaram 223 comunidades e mais de 70 mil pessoas, com base em iniciativas apoiadas pela Charles Stewart Mott Foundation na última década. O estudo é acompanhado da plataforma “Energia elétrica na Pan-Amazônia: plataforma de indicadores de projetos-piloto”, que disponibiliza dados desagregados sobre as iniciativas mapeadas.
A análise aponta como principais entraves à expansão do acesso à energia elétrica em áreas remotas o isolamento geográfico, a baixa densidade populacional, os elevados custos de infraestrutura e a dependência de combustíveis fósseis.
Ao mesmo tempo, o estudo evidencia resultados positivos das iniciativas avaliadas. Em territórios indígenas, o tempo dedicado ao trabalho manual foi reduzido em até 50 horas por semana. Já a renda familiar aumentou, em média, US$ 361 por mês, enquanto 99,7% das comunidades reduziram o consumo de diesel e 32% deixaram de utilizar o combustível.
Uma das iniciativas citadas no estudo foi abordada no artigo publicado no ((o))eco, “Onde o Sol sempre esteve, mas a luz ainda não”. O texto destaca que o novo decreto do Programa Luz para Todos (LpT) representa um avanço na redução das desigualdades históricas de acesso à energia elétrica, sobretudo em comunidades tradicionais da Amazônia.
A atualização do programa incorporou recomendações apresentadas pelo IEMA e pela Rede Energia & Comunidades, como a priorização de famílias em situação de vulnerabilidade, o reconhecimento do uso produtivo da energia para fortalecer a sociobioeconomia local, a agricultura rural e a formação de agentes comunitários para a manutenção dos sistemas.
A medida prorroga o Programa Luz para Todos até dezembro de 2028 em áreas rurais e regiões remotas, com encerramento financeiro previsto para 2029. O objetivo é ampliar o acesso à eletricidade para cerca de um milhão de brasileiros.
Aliás, o IEMA também colaborou com o desenvolvimento do novo aplicativo do programa Luz para Todos (LpT), apoiando a definição do fluxo de uso e o desenho da ferramenta, além de participar da etapa de testes em campo para avaliar seu funcionamento em condições reais de uso. O aplicativo permite que a população solicite o acesso à energia elétrica de forma digital, contribuindo para ampliar o alcance do programa.
Ainda sobre a universalização da energia elétrica, autores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do IEMA publicaram o artigo científico na revista Campo de Públicas “Entre intenção normativa e inclusão substantiva: capacidades estatais e sandbox regulatório no setor elétrico brasileiro”.
O estudo diferencia o acesso formal à energia, baseado apenas na instalação da infraestrutura, do acesso substantivo, que atende às necessidades locais. A pesquisa defende a adoção de “sandboxes regulatórios”, ou seja, testes de ideias e soluções, e aperfeiçoar regulamentações e políticas energéticas mais adequadas às especificidades da Amazônia.
Em diálogo com esse tema, o IEMA publicou na Página 22 o artigo “A energia que une a Amazônia”, destacando que a eletrificação adequada pode promover geração de renda, inclusão social e fortalecimento das comunidades da Pan-Amazônia. Também defende uma agenda regional para enfrentar a exclusão energética no bioma.
E outra notícia importante é que o curso “Agentes Comunitários de Energia (ACE)”, iniciativa do IEMA em parceria com a Rede Conexão Povos da Floresta, Projeto Saúde e Alegria (PSA) e WWF-Brasil, foi reconhecido como profissionalizante e recebeu certificação do Senai. A formação prepara agentes comunitários para atuar na gestão, manutenção, eficiência energética e uso sustentável de sistemas de energia solar em territórios amazônicos.
Saiba, abaixo, mais ações do IEMA na área e nos demais setores que atua.
Matriz elétrica limpa e inclusiva
O IEMA participou da elaboração da nota técnica “Contribuições técnicas à Proposta de Metodologia de Seleção de Áreas para Geração Eólica Offshore” publicada pelo Observatório do Clima (OC) sobre a seleção de áreas para geração de energia eólica offshore. A equipe contribuiu especialmente para o item “Conceituação e objetivo da geração de energia eólica offshore na metodologia”, com base em contribuições apresentadas anteriormente à Consulta Pública nº 191, referente ao desenvolvimento de projetos na área.
O IEMA também fez parte do manifesto da sociedade civil, articulado pelo PainelMar, para a Consulta Pública nº 223/2026, referente ao estudo que analisa o engajamento de diferentes atores no fortalecimento da energia eólica offshore no Brasil. O manifesto reúne defesa de critérios de sustentabilidade, transparência e proteção ambiental nas decisões relacionadas ao setor.
Em maio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou o “Guia prático sobre mudanças climáticas e transição energética”, voltado a subsidiar as atividades regulatórias do setor elétrico. A versão final incorporou contribuições apresentadas pelo IEMA durante a Consulta Pública Aneel nº 007/2025, como o aperfeiçoamento na regulação do setor elétrico com integração das políticas climáticas e inclusão de salvaguardas socioambientais.
A organização participou de reunião do Fórum Nacional de Transição Energética (Fonte) sobre a elaboração do Plano Nacional de Transição Energética (Plante), tendo como base o Plano Nacional de Energia 2055. Em seguida, encaminhou contribuições e questionamentos à Consulta Pública nº 222 de 29/04/2026 referente ao Plante e, também, por meio do coletivo Nordeste Potência. Foram abordadas propostas voltadas ao fortalecimento das salvaguardas socioambientais.
O artigo “Convocação ruim”, no site Central da COP do Observatório do Clima, alerta para a contratação predominante de usinas termelétricas fósseis e defende alternativas mais alinhadas à transição energética justa.
Vale ressaltar que o pesquisador do IEMA Anton Altino Schwyter esteve ao vivo no Estúdio News, do Jornal Record News, da Rede Record, abordando os desafios da transição energética.
Em junho, o IEMA participou do workshop “Explorando o Potencial Agri-PV: um Novo Horizonte para a Agricultura e Energia Sustentável no Brasil”, que reuniu representantes do governo, setor privado, academia e instituições financeiras para discutir recomendações para políticas públicas e projetos-piloto no Brasil.
No mesmo mês, o gerente de projetos Vinícius Oliveira realizou palestra e diálogo com lideranças de comunidades tradicionais e de associações sobre acesso à energia na Amazônia, políticas públicas para o setor, o aplicativo do programa Luz para Todos e a iniciativa Sandbox Energias da Floresta, no 40º Encontro de Lideranças da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).
Em seguida, Oliveira participou do Energy Summit, realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) reunindo representantes dos setores de energia, inovação e sustentabilidade, e foi palestrante em mesa promovida com a Concertação pela Amazônia sobre segurança energética e inovação na região, no Science Village. A participação refletiu ainda o trabalho do IEMA em grupo técnico sobre sistemas agrivoltaicos, voltado à discussão de marcos regulatórios, políticas públicas e diretrizes para a implementação da tecnologia.
Em maio, o IEMA fez parte de visita técnica promovida pela Fundação Amazônia Sustentável com o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica e a Rede Energia & Comunidades para avaliar cadeias de produção e a situação de acesso à energia elétrica após a chegada do Luz para Todos no baixo Rio Branco (RR).
Transporte regional de cargas sustentável
Ao longo de maio e de junho, a equipe do IEMA acompanhou reuniões relacionadas ao Plano de Governo Aberto, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), e às iniciativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) voltadas ao fortalecimento do diálogo com organizações da sociedade civil. A ideia era discutir estratégias para uma infraestrutura mais sustentável e inclusiva na América do Sul. Inclusive, reuniões do IDB Working Group (IDB WG) abordaram a renovação do plano de relacionamento com a sociedade civil e temas prioritários para essas organizações.
Em junho, Gomes apresentou o Plano Nacional de Logística (PNL) e a Matriz Origem-Destino (Matriz OD), contribuindo para o debate sobre o planejamento da infraestrutura de transportes junto a representantes de organizações locais e comunitárias, no Programa de Formação Continuada e Multiplicadora na Bacia do Rio Madeira, realizada em Humaitá (AM) pelo GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental.
Já em Porto Velho (RO), acompanhou evento sobre a Análise Ambiental Estratégica da BR-319, como parte do monitoramento técnico do planejamento da infraestrutura na Amazônia.
Em junho, o IEMA participou do evento “Construindo uma agenda de infraestrutura sustentável, inclusiva e resiliente para a Amazônia“, promovido pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que reuniu organizações da sociedade civil, povos indígenas, comunidades quilombolas e governos da Pan-Amazônia para discutir o planejamento da infraestrutura na região. Na ocasião, ressaltou que o planejamento regional de transportes deve definir o futuro pretendido antes da escolha de corredores e outras infraestruturas.
A pesquisadora Mariana Calviello participou da Formação Continuada e Multiplicadora no Tapajós (PA) com representantes de comunidades e organizações da sociedade civil, promovida pelo GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental para fortalecer capacidades locais sobre o planejamento da infraestrutura.
Em maio, a pesquisadora do IEMA Raíssa Gomes esteve presente, em São Paulo, do treinamento “Train the Trainer”, promovido pelo think tank (centro de pesquisa e debates) internacional Agora Energiewende. A capacitação abordou temas relacionados à transição energética e às políticas climáticas.
O pesquisador Fabio Galdino mostrou a importância de um planejamento que integre a sociobioeconomia aos investimentos públicos. A entrevista foi ao podcast Diálogos para o Desenvolvimento e a Infraestrutura que Queremos, do GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental.
Ar limpo
Durante a Rio Nature & Climate Week, em junho, a pesquisadora do IEMA Helen Sousa participou do Fórum Freio de Emergência Climática, promovido pelo Global Methane Hub (GMH) e pela Uma Gota no Oceano. Na ocasião, integrou o painel “Energia, Metano e Sociedade 5.0”, contribuindo para o debate sobre a redução das emissões de metano, seus impactos na qualidade do ar e importância de dados robustos para políticas públicas.
A saber
Carbono zero. Em junho, o projeto NetZeroBrasil (NZB) foi apresentado em encontro realizado na Universidade de São Paulo (USP) para interessados em compartilhar o andamento da iniciativa e colher contribuições para o desenvolvimento da ferramenta. O evento apresentou a metodologia de construção dos cenários de descarbonização e permitiu aos participantes conhecerem e testarem as versões em elaboração.
Biocombustíveis. O IEMA apresentou, em reunião da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, resultados e recomendações do estudo “Biocombustíveis no Brasil: alinhando transição energética e uso da terra para um país carbono negativo”. Ela cooperou para as discussões sobre estratégias e caminhos para a agenda de biocombustíveis.
Descarbonização. O pesquisador Felipe Barcellos participou como mentor e jurado, em maio, da primeira edição do Hackathon E+’26 promovido pelo Instituto E+ Transição Energética. O evento desafiou participantes a elaborar soluções para a Plataforma Interativa de Descarbonização (PID).
Áreas protegidas. Vinícius Oliveira integrou o XII Seminário Brasileiro sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Sapis) e do VII Encontro Latino-Americano sobre Áreas Protegidas e Inclusão Social (Elapis). A edição teve como tema central “Territórios, Áreas Conservadas e Sociobiodiversidade: caminhos para a equidade e a paz”.
Sociobiodiversidade. O IEMA esteve em reuniões e oficinas para a construção do Sistema Nacional de Informações e Conhecimento sobre a Bioeconomia (SNICBio). As atividades reuniram representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, de ministérios e de órgãos públicos para articular e sistematizar informações que irão compor a plataforma.
Time. A equipe do IEMA foi ampliada com a chegada de João Vitor de Carvalho, estagiário de análise de dados para estudos técnicos do setor elétrico, e de Aline Gallina, analista de projetos da área de universalização do acesso à energia elétrica na Amazônia.
Aniversário. Em maio, colaboradores e familiares reuniram-se para um encontro informal de celebração de 20 anos de atuação do IEMA, completados no dia 29, com bolos comemorativos.
Cooperação internacional. O IEMA colaborou com a publicação “Hoja de Ruta desde América Latina y el Caribe para la transición energética justa”, do Mapa do Caminho da América Latina e Caribe, elaborado pelo think tank colombiano Transforma. O documento oferece diretrizes para a transição energética na região.
Eleições. O IEMA participou da elaboração de “Propostas para a Política Ambiental Brasileira”, lançadas pelo Observatório do Clima (OC), que cataloga recomendações sobre 14 temas considerados estratégicos para orientar o debate ambiental durante o período eleitoral e subsidiar a formulação de políticas públicas.
Ambiente de trabalho. A equipe participou de diagnóstico relacionado à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), de gestão de riscos no ambiente de trabalho, em apoio ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que passou a considerar questões psicossociais.
Na mídia
((o))eco. Onde o Sol sempre esteve, mas a luz ainda não
ID Global. Energia para quem? Acesso pleno e territórios
Folha de S.Paulo. Quase 3 milhões de pessoas dependem de combustíveis fósseis na Amazônia Legal, diz levantamento
Rádio BandNews. Quase 3 milhões de pessoas da Amazônia Legal ainda dependem de energia gerada por combustíveis
Rede de Notícias da Amazônia. Cinco milhões de pessoas estão sem energia elétrica pública e de qualidade na Pan-Amazônia
CNN Brasil. Grupo revela proposta para clima e meio ambiente a candidatos à presidência
Record News. Estúdio News analisa as condições do Brasil na corrida global pela transição energética
Valor Econômico. Pará tem 1 de cada 3 brasileiros sem conexão à rede elétrica
O Globo. Usinas a carvão geram energia poluente e cara, mas resistem na matriz elétrica
Valor Econômico. Carvão resiste na matriz elétrica brasileira
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Foto do destaque: Tauan Alencar/ MME