Olá! Você está recebendo o boletim do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) com as principais atividades realizadas nos últimos dois meses.
Como chegar a emissões líquidas zero? Não existe uma única resposta, e agora é possível testar diferentes possibilidades. Pela primeira vez, uma ferramenta desenvolvida para a realidade brasileira permite explorar essas alternativas e entender os efeitos de diferentes escolhas. O NetZero Brasil é uma plataforma aberta e inédita que reúne dados e modelos de setores como energia, transportes, agropecuária, indústria, florestas e uso da terra.
Com esse recurso, é possível criar cenários, testar combinações de políticas e tecnologias e compreender seus efeitos sobre as emissões, a economia e o território. Assim, essas projeções deixam de ser apenas hipóteses. Elas podem ajudar governos, empresas, pesquisadores e sociedade civil a visualizar alternativas e pensar em ações para enfrentar a mudança do clima.
Foram meses de trabalho para colocar a plataforma no ar. Seu lançamento aconteceu em setembro, em São Paulo, com a participação dos pesquisadores do IEMA David Tsai e Felipe Barcellos e Silva. O IEMA integra a iniciativa desde sua concepção ao lado de demais organizações da sociedade civil, universidades e centros de pesquisa brasileiros e estrangeiros. Ela está no ar em sua primeira versão, seguindo em aprimoramento para receber novos dados e funcionalidades.
Mas é bom frisar que os caminhos que podem mudar o futuro do clima também passam pela forma como planejamos os transportes e desenhamos os mapas de como o país se movimenta.
Para além de obras, cada estrada, ferrovia, porto ou hidrovia deve moldar a forma como pessoas, produtos e regiões se conectam. Pela primeira vez no Brasil, o Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), lançado em agosto, propõe uma mudança na forma de planejar a infraestrutura de transportes.
Em vez de definir primeiro quais projetos serão realizados, a nova proposta é identificar os problemas e as necessidades do país e, a partir deles, buscar as soluções mais adequadas. Historicamente pouco representados nos modelos tradicionais, os produtos da sociobiodiversidade também foram reconhecidos como relevantes para a economia local.
O IEMA participou do lançamento, representado pelo diretor-executivo André Luis Ferreira, que alertou que a adoção de corredores logísticos ainda traz desafios a serem enfrentados. O principal é incorporar, desde o planejamento, os impactos socioambientais cumulativos e sinérgicos (que se combinam e podem se potencializar) de diferentes infraestruturas que integram um mesmo corredor, e não avaliá-los isoladamente no licenciamento de cada projeto.
A seguir, fique por dentro das demais novidades. Boa leitura!
Transporte regional de cargas sustentável
O GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra), com apoio técnico do IEMA, lançou uma cartilha que explica como funciona o planejamento da infraestrutura de transportes no Brasil. Ela apresenta, de maneira acessível, como são definidas as prioridades, quem participa das decisões e quais são os espaços de participação e controle social.
A reativação da Comissão de Infraestrutura da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em julho, cria um espaço permanente de cooperação entre os países amazônicos para promover um planejamento territorial de longo prazo, incorporar critérios de sustentabilidade e resiliência climática e fortalecer a coordenação regional.
Uma videoconferência organizada pelo GT Infra com órgãos públicos, universidades e outras organizações da sociedade civil discutiu os impactos socioambientais das hidrovias na Amazônia e o aprimoramento das políticas de transporte fluvial. O IEMA defendeu planos de transporte integrados com comparação entre corredores e modais (ferrovias, hidrovias, rodovias), considerando riscos socioambientais e viabilidade econômica.
Em setembro, o GT Infra junto com o Movimento Tapajós Vivo (MTV) realizaram o segundo ciclo da formação Tapajós, em Santarém (PA). Na ocasião, a pesquisadora do IEMA, Raíssa Gomes, abordou sobre a necessidade de critérios transparentes para orientar a escolha entre as alternativas de transportes de cargas no país.
Matriz elétrica limpa e inclusiva
Em agosto, aconteceu a primeira Oficina de Imersão e Capacitação do Sandbox Regulatório Energias da Floresta, iniciativa inédita promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), com apoio do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e execução da Quintessa. Realizada presencialmente no Pará, o encontro reuniu cerca de 70 participantes de 50 instituições como do governo, distribuidoras de energia, academia, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e empresas para construir coletivamente soluções para reduzir a pobreza energética e ampliar o acesso à energia elétrica pública e de qualidade em locais remotos da Amazônia.
O foco do encontro foi experimentar processos, identificar desafios e avaliar formas de participação colaborativa e de governança. Assim, o acordo entre Aneel e IEMA (o sandbox) inova ao colocar as realidades e necessidades dos territórios no centro da construção regulatória, em diálogo direto com as comunidades.
O IEMA contribuiu para a revisão do Manual de Operacionalização do Programa Luz para Todos (LpT), encaminhando ao Ministério de Minas e Energia (MME) propostas para aperfeiçoar as regras do programa. Um dos focos foi o emprego da eletricidade em atividades que geram renda e fortalecem as economias locais. A contribuição foi acompanhada de um relatório de referência, elaborado a partir das novas regras estabelecidas pelo Decreto nº 12.964/2026, especialmente as relacionadas aos usos produtivos da energia elétrica.
Em parceria com a Rede Energia & Comunidades (REC), o IEMA também apresentou 40 propostas para melhorar o atendimento do programa, sobretudo, em comunidades remotas. As sugestões tratam de temas como participação social, adequação das soluções às características de cada território, operação e manutenção dos sistemas, atuação de agentes comunitários de energia e uso da eletricidade em atividades produtivas.
Em julho, o artigo “Conexões e desconexões nos arranjos institucionais para a transição energética: Comunidades energéticas e o programa Luz para Todos na Amazônia brasileira”, de pesquisadores do IEMA e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi publicado na revista Planejamento e Políticas Públicas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O estudo aponta os desafios para levar energia a áreas remotas e destaca a importância de soluções adaptadas às características das comunidades amazônicas.
O IEMA esteve presente no 3º Encontro da Rede Conexão Povos da Floresta, realizado na Escola Família Agroextrativista do Carvão, em Mazagão, no Amapá. O evento reuniu 176 participantes de 60 organizações e de 55 comunidades tradicionais para dialogar sobre os caminhos entre as políticas públicas de acesso à energia e a construção da autonomia energética e digital dos territórios.
O pesquisador do IEMA Vinícius Oliveira, a convite do BID, participou do Impact Minds 2026 (AM), promovido pela Latimpacto (rede para impulsionar impacto social e ambiental). Ele falou sobre os desafios do acesso à energia elétrica na Amazônia e como o Sandbox Energias da Floresta busca construir modelos mais adequados às necessidades dos territórios.
O artigo do IEMA publicado na agência Eixos, “Segurança energética em tempos de El Niño: Brasil precisa de planejamento de longo prazo e transição para economia de baixo carbono”, aborda os desafios da segurança energética diante da maior variabilidade climática. O texto destaca a importância de planejamento de longo prazo e de investimentos em flexibilidade, redes e fontes renováveis e aponta a necessidade de evitar a ampliação da dependência de combustíveis fósseis.
O pesquisador Anton Schwyter representou o IEMA em uma reunião do Fórum Powershoring Nordeste, em Brasília. A articulação reúne organizações como o Banco do Brasil e o Consórcio Nordeste para discutir estratégias de industrialização baseadas no aproveitamento da energia renovável da região, com foco na transição energética, em investimentos de baixo carbono e na geração de empregos.
Em julho, a pesquisadora Meiriele Cumplido participou, em Brasília, do evento “Diálogos sobre Energia Eólica Marinha”, do WWF-Brasil. Na ocasião, palestrou sobre a transformação da matriz elétrica brasileira, os desafios de conciliar oferta e demanda com a expansão das renováveis e o papel da energia eólica offshore no atendimento às novas demandas.
Representantes do IEMA também participaram das reuniões dos Comitês Técnicos 1 e 2 do Fórum Nacional da Transição Energética (Fonte), dedicados à segurança e resiliência do sistema energético e à justiça energética, climática e ambiental. Os encontros analisaram os desafios da transição energética e contribuíram para a elaboração de uma carta de recomendações ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para o final deste ano.
Ar limpo
O tema da qualidade do ar foi abordado no artigo publicado no Um Só Planeta, do grupo O Globo: “Céu azul para quem? O ar que respiramos não é igual para toda a população”. O texto destaca que a exposição à poluição do ar não é igual para toda a população e que o lugar onde vivemos, trabalhamos e circulamos influencia seus impactos.
Mobilidade urbana de baixas emissões
No ((o))eco, o artigo “Mobilidade é vida: um caminho para as pessoas, não aos carros” aborda os desafios da mobilidade urbana. O texto destaca que repensar os deslocamentos nas cidades significa priorizar as pessoas e ampliar as alternativas ao transporte individual.
A saber
Propostas. Outro tema que ganhou destaque foi o lançamento, em agosto, de um caderno do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) que reúne 37 soluções para reduzir as emissões de metano no Brasil. As propostas abrangem diferentes frentes como planejamento, financiamento, governança, operação e monitoramento. O material também dialoga com o esforço internacional liderado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ampliar a redução das emissões de metano pelo mundo.
No âmbito dessa iniciativa, o IEMA, em parceria com o GT Clima e Energia, do Observatório do Clima (OC), também promoveu uma troca de experiências entre o OC e o Instituto de Desarrollo, Energía y Ambiente (IDEA), do México. O encontro permitiu discutir as estratégias dos dois países para reduzir as emissões de metano e identificar possibilidades de cooperação. A articulação deve continuar com apresentações conjuntas sobre o tema durante a COP 31 que ocorrerá em novembro, na Turquia.
Transparência. O IEMA publicou seu Relatório Anual 2025, que reúne as principais atividades realizadas pelo Instituto ao longo do ano, apresenta o acompanhamento dos resultados e reforça o compromisso com a transparência. O documento também destaca a contribuição do IEMA para o debate público, a tomada de decisões e o fortalecimento de políticas públicas diante dos desafios socioambientais do país.
Governança. Em setembro, as ações de governança incluíram a realização da segunda reunião do Conselho Diretor e da Assembleia de Associados. Na ocasião, foi eleito o mais novo integrante do Conselho Diretor, Renato Boareto, ex-colaborador do IEMA e especialista em mobilidade urbana, com ampla experiência e visão estratégica sobre os cenários futuros do setor.
Aniversário. O IEMA está preparando uma série de novidades para celebrar seus 20 anos. Além do logo comemorativo, já foram produzidos um conjunto de artes institucionais que podem ser vistas nos perfis das redes sociais da organização.
Na mídia
InfoAmazônia. ‘Exclusão gigantesca’: pesquisador afirma que 3,5 milhões de pessoas na Amazônia têm acesso restrito à energia e dependem de combustíveis fósseis
Prensa Mercosur. O mundo pós-fóssil começa a ser desenhado em Santa Marta
TV Cultura. Jornal da tarde: sobre elétricos, cidades e ônibus
Exame. Sem luz, comunidades amazônicas apostam em energia solar para fornecer internet
G1. Brasil ainda não reduz metano de forma contínua; estudo aponta 37 medidas para conter o gás
Valor Econômico. Guia busca reverter aumento das emissões de metano
Jornal da USP. Produção de biocombustíveis não precisa competir com a de alimentos
Valor Econômico. Plataforma mostra caminhos para meta de emissão zero no Brasil
Jornal da Unicamp. Energia solar fortalece geração de renda em aldeias indígenas
Correio Braziliense. Anac mira emissões de gás carbônico
Observatório do Clima. Reindustrialização de baixo carbono pode abrir novos caminhos para a economia brasileira