Olá! Você está recebendo o primeiro boletim do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) de 2026, que reúne as principais atividades realizadas entre janeiro e maio.
Entre os destaques do período, está o lançamento da “Plataforma Mapeamento da Sociobioeconomia” que permite acessar e cruzar dados inéditos sobre 49 produtos do extrativismo vegetal amazônico. A ferramenta evidencia os impactos da exclusão elétrica na região mostrando, por exemplo, que cerca de 30% da produção de açaí na Amazônia Legal vem de estabelecimentos sem acesso à energia elétrica.
Em cadeias como óleo de copaíba, carnaúba e fibra de piaçava, esse percentual ultrapassa 80%, revelando como a falta de infraestrutura limita a geração de renda e a agregação de valor. A plataforma deve servir como subsídio para aprimorar o mapeamento dos processos produtivos que demandam maior ou melhor acesso à energia elétrica na região.
Aliás, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) lançou a Consulta Pública nº 002/2026 sobre a proposta de regulamentação do “Projeto Energias da Floresta”, iniciativa elaborada em conjunto com o IEMA. O projeto prevê a implementação de pilotos em ambiente de inovação regulatória (sandbox), com foco em atender povos e comunidades tradicionais, assentamentos rurais e regiões periféricas.
Inclusive, em março, para marcar a abertura da consulta pública, a Aneel sediou um seminário em parceria com o IEMA e a Rede Energia & Comunidades. O evento inédito marcou um avanço importante no debate sobre justiça energética em territórios tradicionais.
Ele reuniu representantes do setor elétrico, instituições financeiras, organizações da sociedade civil, pesquisadores e lideranças comunitárias reforçando a necessidade de soluções construídas com participação comunitária e respeitando as especificidades locais.
No âmbito técnico do encontro, o IEMA contribuiu com o debate apresentando pelo menos três estudos inéditos realizados em parceria com organizações do terceiro setor e com a Rede Energia & Comunidades sobre a universalização da energia elétrica em territórios tradicionais: “Contribuições para o aperfeiçoamento do Programa Luz para Todos em territórios extrativistas costeiros e marinhos”, “Contribuições para o aperfeiçoamento do Programa Luz para Todos em territórios tradicionais” e “Políticas de bem viver voltadas às comunidades amazônicas”.
Os trabalhos analisam experiências, desafios e caminhos para o aprimoramento de políticas públicas, abordando desde o aperfeiçoamento do Programa Luz para Todos até soluções comunitárias e referências internacionais.
Por exemplo, o levantamento sobre políticas de bem viver, referente a 24 comunidades em 13 municípios do Pará, revelou que apenas 20% das residências têm acesso formal à energia elétrica pública.
Já em maio, o trabalho “Energia: As Amazônias na agenda de transição” organizado pela “Uma Concertação pela Amazônia” e com parceria do IEMA, apontou disparidades e problemas com relação à energia: marcada por acesso desigual, dependência de sistemas isolados a diesel e limitações no modelo atual de planejamento.
A região detém 34% da capacidade instalada de geração hidrelétrica do país, mas seus estados consomem apenas 8,4% do total nacional. O trabalho aponta a necessidade de ampliar soluções renováveis descentralizadas e integrar energia à sociobioeconomia, promovendo inclusão social e desenvolvimento local.
Vale ressaltar que, paralelamente às apresentações e produções de análises, a equipe do IEMA atuou em articulações institucionais sendo responsável por elaborar, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), recomendações para o aprimoramento dos questionários do censo comunitário e do censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Também ao longo dos meses, IEMA foi chamado a firmar um Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realizou reuniões com o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério das Mulheres, e passou a integrar o Comitê de Avaliação do Programa Prospera Sociobio do MMA.
Tanto trabalho gerou frutos. O Governo Federal publicou o Decreto nº 12.964/2026, que atualiza o Programa Luz para Todos e amplia a estratégia de universalização do acesso à energia elétrica, especialmente na Amazônia Legal. As contribuições do IEMA e da Rede Energia & Comunidades ajudaram com, respectivamente e por exemplo, o mapeamento dos impactos da exclusão elétrica em unidades produtivas e fortalecimento da articulação entre comunidades amazônicas e tomadores de decisão.
Assim, ao reunir evidências de campo e referências nacionais, o IEMA segue contribuindo para o debate regulatório e para a construção de políticas públicas que promovam a universalização da energia elétrica em territórios tradicionais com justiça social, sustentabilidade e respeito às realidades territoriais.
A seguir, acompanhe as demais atividades do período. Boa leitura!
Transporte regional de cargas sustentável
O IEMA apresentou contribuições técnicas para o aprimoramento da Avaliação Ambiental Estratégica do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), em janeiro. Diante do volume de investimentos previstos em infraestrutura de transportes, o Instituto ressalta a importância de incorporar critérios socioambientais ao planejamento de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a já inclusão dos produtos da sociobiodiversidade na Avaliação Estratégica do PNL 2050 representa um avanço significativo para o planejamento de transportes no Brasil. O IEMA apoia essa construção como forma de promover políticas públicas mais alinhadas às necessidades dos territórios e comunidades tradicionais.
Em março, a organização participou de reunião com a Controladoria-Geral da União (CGU), representantes do governo e da sociedade civil para discutir avanços, desafios e próximos passos com relação ao monitoramento e revisão do Compromisso 1 do 6º Plano de Ação Nacional em Governo Aberto. Esta iniciativa busca ampliar a transparência e a participação social nas diferentes etapas das políticas públicas de infraestrutura, desde a definição de problemas até a execução de planos e projetos.
Em abril, ocorreu uma reunião com o Ministério dos Transportes para apresentação da metodologia adotada por ele na etapa final do Plano Nacional de Logística (cenário-meta), além dos indicadores socioambientais que serão considerados no processo. O encontro contou também com a presença de lideranças dos territórios, ampliando a participação social no debate sobre os impactos e diretrizes do plano.
Na mesma pauta, o instituto destaca a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que identificou falhas relevantes na política hidroviária federal, como ausência de planejamento integrado, fragilidades na governança e lacunas na avaliação de impactos socioambientais. A análise reacendeu o debate, na época, sobre a dragagem no rio Tapajós, destacando riscos de alteração da dinâmica hidrossedimentar e potenciais impactos sobre comunidades e ecossistemas.
Matriz elétrica limpa e inclusiva
Em artigo “O desperdício de energia é culpa das renováveis?”, na Folha de S.Paulo, os pesquisadores Ricardo Baitelo e Anton Altino Schwyter ressaltam que a falta de planejamento e de investimentos em armazenamento, transmissão e flexibilidade do sistema elétrico gera perda de energia. Diante desse cenário, o texto alerta para o risco de o país recorrer novamente às termelétricas fósseis.
Boletim Leilão de Energia: Quinta edição. Análise do IEMA alerta que as termelétricas fósseis contratadas no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 podem emitir até 40 MtCO₂e por ano e retardar a integração de fontes renováveis, além de prolongar a operação de usinas fósseis já existentes.
O “Plano Nacional de Transição Energética (Plante)”, do MME, reconheceu a importância de salvaguardas socioambientais para a transição energética, em consonância com relatórios do IEMA sobre energia solar e linhas de transmissão e com contribuições do instituto à consulta pública, reforçando a necessidade de proteção territorial e participação social nos processos de expansão da infraestrutura energética.
Organizações da sociedade civil solicitaram ao governo federal a definição de um calendário para o encerramento dos leilões de petróleo, em alinhamento com os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. O debate reforça a necessidade de coerência entre a política energética e os objetivos de mitigação das mudanças climáticas, diante do contraste entre a expansão de combustíveis fósseis e as metas globais de limitação do aquecimento a 1,5°C.
No Acampamento Terra Livre (ATL), Vinícius Oliveira falou sobre a Rede Energia e Comunidades e destacou como organizações da sociedade civil e movimentos sociais estão atuando juntos para acelerar o primeiro acesso à energia por meio de uma transição energética justa e popular.
Em fevereiro: a equipe do IEMA colaborou e participou da Oficina de Construção do “Projeto Energias da Floresta”, realizada em parceria com a Aneel e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), com apoio do Impact Hub Brasil; Meiriele Cumplido, pesquisadora do IEMA, palestrou sobre think tanks, a convite da MPower Brasil, para mentoradas do Programa de Lideranças Femininas em Energia; e Cumplido e Vinícius Oliveira da Silva participaram do “Workshop Programa Energias da Amazônia 2026”, em Manaus, debatendo sobre a implementação de políticas energéticas na região.
Ar limpo
Em abril, o IEMA lançou a “Ferramenta de Inventários de Emissões Veiculares”, uma planilha automatizada que permite calcular e atualizar emissões de poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa do transporte rodoviário. Seu objetivo é apoiar governos na elaboração contínua de inventários, além de contribuir para o planejamento e monitoramento de políticas climáticas.
Em março, o IEMA esteve presente no evento organizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para comemorar os 40 anos do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve).
Na ocasião, a pesquisadora Helen Sousa apresentou o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, com dados do período de 1980 a 2024, lançado em 2025. Ela destacou que o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) foi decisivo para reduzir as emissões veiculares no Brasil ao longo das últimas décadas, mesmo com o crescimento contínuo da frota.
O Instituto Ar lançou o documento “Comunicação de Qualidade (do Ar): um guia sobre poluição atmosférica e mudanças climáticas para comunicadores”. O gerente de projetos David Tsai atuou como colaborador técnico na construção do material, que reúne definições e orientações para apoiar a comunicação sobre poluição atmosférica; e Helen Sousa participou de seu lançamento.
A saber
Artigo. No Nexo, pesquisadores do IEMA publicaram o texto “O dilema dos biocombustíveis na transição energética” apontando que os biocombustíveis são estratégicos para descarbonizar, especialmente, o transporte. Ao mesmo tempo, sua expansão exige cuidado com o uso da terra.
Participação internacional 1. Em abril, o IEMA participou presencialmente da “1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis”, realizada em Santa Marta (Colômbia), contribuindo para o debate sobre transição energética justa e universalização do acesso à eletricidade.
Em artigo, a organização destaca como a América Latina tem assumido protagonismo no debate global sobre transição energética justa, especialmente ao defender a saída dos combustíveis fósseis com foco em justiça social, cooperação internacional e universalização do acesso à energia.
Inclusive, a organização contribuiu, em articulação com o Observatório do Clima, com a Etapa Metodológica 1 da “1ª Conferência para a Transição dos Combustíveis Fósseis”, em Santa Marta (Colômbia).
Participação internacional 2. Os pesquisadores do IEMA Felipe Barcellos e Silva e David Tsai estiveram, em março, na Universidade de Princeton (EUA) para participar de atividades relacionadas ao programa NetZero, voltadas ao debate sobre transição energética e neutralidade de emissões.
Entrevista. O pesquisador do IEMA Anton Altino Schwyter participou da bancada do Jornal da Cultura (27 de março), na TV Cultura, contribuindo com análises sobre energia elétrica e transição energética.
América Latina. Organizações da sociedade civil da região se reuniram na Cidade do México para o evento “Avanzando en la mitigación del metano en el sector de petróleo y gas en Latinoamérica 2.0”, promovido pelo Clean Air Task Force (CATF) e pela La Organización Latinoamericana y Caribeña de Energía (OLADE). O IEMA contribuiu com dados do SEEG sobre o perfil de emissões do setor de energia no Brasil e seus impactos na qualidade do ar.
Observatório do Clima. Artigo do IEMA e do Imaflora, “Dados para mudar o clima: os 14 anos do SEEG”, destaca o papel das informações abertas na transparência climática e no fortalecimento das políticas públicas.
COP30. No primeiro mês do ano, o IEMA contribuiu com as “Recomendações do Observatório do Clima para o Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada”, participação consolidada em contribuição coletiva apresentada com participação de Ricardo Baitelo.
Dados. Em março, o IEMA cooperou com ofício, articulado pelo WWF-BR, para reestruturação da governança e participação social no Grupo de Trabalho Eólicas Offshore, sob a coordenação do MEE. Também colaborou com a nota técnica do Observatório do Clima “Contribuições técnicas à Proposta de Metodologia de Seleção de Áreas para Geração Eólica Offshore (EPE/DEE/086/2024)”.
Participação internacional 3. O diretor-executivo André Luís Ferreira participou do “Encuentro Regional sobre las Finanzas para el Desarrollo y la Transición Energética en América Latina”, em Lima (Peru), em março.
Transição energética. O instituto esteve presente, em maio, no esquenta da “1ª edição do Hackathon E+”, compartilhando a experiência do instituto no desenvolvimento da Plataforma da Qualidade do Ar e do SEEG. O encontro promoveu reflexões sobre o papel dos dados para a incidência e na qualificação de debates técnicos.
SEEG. O Observatório do Clima lançou, em março, o “Relatório Analítico do SEEG 13”. O estudo mostra que o setor de energia e de processos industriais, que contou com a colaboração do IEMA, respondeu por 24% das emissões brasileiras em 2024. Apesar do avanço das renováveis, o uso de combustíveis fósseis continua sendo muito relevante na matriz energética brasileira.
“Transição energética”. Em Brasília, André Luis Ferreira, diretor-executivo do IEMA, participou de debate promovido pelo O Globo e Valor Econômico para abordar o Brasil como potência na energia limpa. Ele destacou a importância de salvaguardas socioambientais.
Biocombustíveis. O Tribunal de Contas da União (TCU) publicou auditoria sobre o RenovaBio, recomendando o aprimoramento de indicadores de monitoramento; o relatório do IEMA foi citado como referência metodológica para construção de novos indicadores.
Credibilidade. No âmbito da governança institucional, entre fevereiro e março, o IEMA passou por auditoria independente referente ao exercício de 2025, reforçando o compromisso com a transparência e as boas práticas de gestão.
Acompanhamento. Como desdobramento desse processo, foi realizada a reunião do Conselho Fiscal para avaliação do relatório da auditoria, em 30 de abril. O encontro contou com a primeira participação do novo conselheiro, Eduardo Bernardes da Silva.
Ampliação. Paralelamente, entre fevereiro e abril, o Instituto conduziu processo seletivo para ampliação da equipe, contemplando as vagas de analista de comunicação júnior e estagiário(a) para atuação em análise de dados. No dia 4 de maio, a equipe de comunicação passou a contar com a chegada do colega Marcelo Testoni, ampliando o apoio às ações institucionais e de divulgação.
Na mídia
Megawhat/ UOL. Observatório do Clima recomenda repotenciação de hídricas ao governo
Eixos. Mapa do Caminho: organizações pedem cronograma para fim de leilões de petróleo no Brasil
A Tarde. Carro mais barato? Acordo Mercosul-UE prevê fim de imposto e demissões
Um Só Planeta/Globo. Produção recorde de petróleo no país eleva emissões e expõe contradições da política climática brasileira
Capital Reset/UOL. As baterias gigantes que o Brasil quer contratar para evitar apagões
Cartão de Visitas News/R7. Três em cada dez quilos de açaí produzidos na Amazônia Legal são provenientes de extrativismo
Governo Federal. MMA e Ministério dos Transportes divulgam inventário nacional de emissões do transporte rodoviário com série histórica de 45 anos
Exame. A economia da floresta finalmente entrou no planejamento logístico
Agência Brasil. Emissões de gases caem em 2024, mas meta climática segue em risco
Expert XP. Leilão de transmissão terá menos lotes e R$ 3,3 bilhões em aportes
Governo Federal. Energias da Floresta: ANEEL realiza seminário para tratar de inovação e sustentabilidade energética na região amazônica
Mídia Ninja. Falta de estações de monitoramento da qualidade do ar compromete diagnóstico da poluição no Brasil
Agência Brasil. Energia solar viabiliza fábrica de gelo em comunidade ribeirinha
Terra. Opção por usinas a gás revela contradição do Brasil com metas de mitigação climática
Valor Econômico. Minerais críticos devem ter redução de imposto
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